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Experiências da Feira Agroecologica de Flores
“Eu participo desde o primeiro dia, quando começou a feira. Pra mim, a feira significa uma coisa muito importante, porque eu gosto de trabalhar na roça e pra mim melhorou muita coisa, a gente tem as coisas na hora que quer e trago pra feira, vendo e me ajuda, encontro uma força grande pra mim.
Esse jeito de produzir é muito importante pra saúde da gente, porque a gente sabe o que é que está comendo, a gente não tâ comendo coisa que contem veneno nenhum. E eu também invisto na produção, compro principalmente semente pra plantar.
Fora isso, eu tenho fruta e verdura pra comer e não preciso comprar, tem pro consumo da familia”. (Dona Maria, 66 anos – Comunidade de Oiticica, Triunfo)
“A feira é bom porque a gente não depende mais somente do que os pais dão pra nós, a gente já tem como planejar mais como podemos gastar, sem uma dependência maior dos nossos pais. Isso traz uma força maior, eu me sinto mais poderosa.
Além disso, a feira tem muita importância para nós, melhorou nossa situação financeira e ajudou a gente modificar nosso pensamento sobre viver sem consumir agrotóxico, viver de uma forma mais saudável. Minha familia mudou o hábito alimentar, hoje consome mais frutas e verduras do que antes”.(Gildete, 16 anos - Comunidade de Oiticica, Triunfo)
Histórias da Feira Agroecológica de Serra Talhada
A história do Sr. Francisco, 53 anos, é parecida com tantos agricultores familiares que começaram a produzir orgânicos e que acharam uma fonte de renda vendendo os produtos livres de agrotóxicos na feira agroecológica de Serra Talhada.
“Antes eu tâva desempregado e aí passei a plantar produtos orgânicos e depois comecei a trabalhar pra vir aqui pra feira, eu aumentei minha área e comecei a produzir mais. Agora toda semana eu tenho minha `feira` pra sustentar a familia. Esse dinheiro serve pro `custo` da casa, pra todos os compromissos. Essa é a minha maior fonte de renda hoje”.
Cilene, 31 anos, agricultora familiar do Assentamento Poço do Serrote em Serra Talhada, acha importante não só vender, mas consumir os produtos orgânicos que ela cultiva na roça. Esse é o depoimento dela: “Eu acho muito bom plantar sem agrotóxicos, tanto pra os consumidores que compram, como pra alimentação em casa. Todo dia eu uso os produtos na minha casa e gosto muito porque tenho certeza que são produtos de qualidade. Eu e minha familia estamos comendo produtos sadios”.
E coloca a importância do produtor agroecológico puder vender diretamente na Feira. “Levo queijo, leite e os produtos da horta e aí eu já vendo tudo. Antigamente eu vendia o queijo pro atravessador pela metade do preço e agora eu levo e já apuro o dinheiro completo pra mim. Tâ muito boa a feira!”.
Cleide, 18 anos, chama atenção pela interação entre produtores e consumidores nas feiras agroecológicas. “Na feira convencional você chega, pergunta quanto é, pega o produto, paga e vai embora. Aqui não, você chega, conversa, troca experiências... Às vezes, você conta até o que aconteceu na sua vida durante a semana! Isso é o que me dá mais vontade de continuar na feira”.
Na escola de Vila Canaã, município de Triunfo, as frutas e as hortaliças produzidas com métodos orgânicos na mesma comunidade se utilizam para a merenda escolar
De acordo com o diretor da escola, Romárico Elias, “os produtos orgânicos melhoraram a alimentação dos alunos e alunas, pois sabemos que a merenda escolar das escolas públicas oferece bastante produtos enlatados que são pouco saudáveis; e as hortaliças e frutas contribuem para uma alimentação de mais qualidade”.
“Não sei como eu demorei tanto a fazer essa mudança: hoje na minha alimentação não pode mais faltar as minhas hortaliças”.
Raimundo Nonato, agricultor familiar da comunidade de Saco dos Henriques, começou a deixar de usar as praticas tradicionais de plantio (queimadas, pesticidas, agrotóxicos) e a produzir hortaliças orgânicas, acompanhado pelos técnicos do CECOR.
Hoje, o Sr. Raimundo virou referencia em horticultura orgânica na região e recebe visitas de agricultores e agricultoras de outros municípios. A horta do Sr. Raimundo se destaca sobre tudo pela diversidade, com a produção de alface, cebolinha, coentro, pimentinha, berinjela, quiabo, maracujá, guandu, banana, pimentão, abóbora, milho, feijão, rúcula, mamão, macaxeira e pepino.
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